29 de abril - Dia Mundial da Dança

 


     Fotografia: © James L. Amos, National Geographic

    Comemora-se hoje o "Dia Mundial da Dança" e a Biblioteca Escolar junta-se à data, partilhando convosco o poema de Eugénio de Andrade "Green God":


Trazia consigo a graça 
das fontes, quando anoitece.
Era o corpo como um rio
em sereno desafio
com as margens, quando desce.

 

Andava como quem passa,
sem ter tempo de parar.
Ervas nasciam dos passos,
cresciam troncos dos braços
quando os erguia do ar.

 

Sorria como quem dança.
E desfolhava ao dançar
o corpo, que lhe tremia
num ritmo que ele sabia
que os deuses devem usar.

 

E seguia o seu caminho,
porque era um deus que passava.
Alheio a tudo o que via,
enleado na melodia 
de uma flauta que tocava.


Eugénio de Andrade, "Green God"

 

Dia 25 de abril : a liberdade de expressão e o fim da guerra

 


    Créditos da fotografia: © Alfredo Cunha "Uma criança junto de um soldado celebram o Dia da Liberdade", 25/4/1974


     No interessante artigo da VISÃO JÚNIOR publicado no texto anterior deste blogue e no Facebook da biblioteca escolar, através das memórias daqueles que viveram a data e também na disciplina de História, no 9.º ano, todos os jovens poderão conhecer a viragem trazida pelo dia 25 de abril de 1974.

 

     A liberdade de expressão, a muitos dos mais novos pouco dirá, pois nasceram em tempos mais tardios: já cresceram numa época em que qualquer cidadão poderá

expressar-se em consciência,  sem que isso seja considerado motivo de perseguição, mas um dever de cada pessoa no exercício da Cidadania.

 

     Quanto à Guerra Colonial Portuguesa  (1961-1974) em que muitos jovens tiveram de participar, durante o Estado Novo , a alguns deixou consequências como a própria vida, marcas físicas  ou perturbações psicológicas prolongadas no tempo. A data que hoje celebramos permitiu que voltássemos a viver em paz e, só por isso, merece ser celebrada.

 

     Antes de abril de 74 apareciam, na TV, as imagens de despedida dos jovens soldados, que partiam de navio e deixavam os pais e todos os seus mais próximos inconsoláveis. As embarcações afastavam-se, enquanto os pais, procurando manter a coragem, acenavam, do cais,  com lenços brancos. Muitos de nós guardamos a imagem na memória e alegramo-nos por serem estes instantâneos, fragmentos do passado. Não existem bens mais preciosos do que a paz, a vida, a integridade física,  a par de podermos dar a nossa opinião sem qualquer castigo ou risco de prisão.



     Créditos da fotografia: arquivos do jornal "O Século": "pais despedem-se de filho que parte para a Guerra Colonial"

 

     Quando, na madrugada deste dia, os militares puseram fim à obrigatoriedade da guerra, muitos artistas – também eles perseguidos pela opinião que manifestavam - ,  comemoraram a data através da expressão plástica e da escrita. Alguns saíram, dias depois, da prisão onde se encontravam, por não concordarem com situações que se viviam na época.


    Deixamos o belíssimo poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, que celebra esta data, a do Dia da Liberdade ou da Revolução dos Cravos, uma mudança conseguida no nosso país sem derramamento de sangue.

 

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
.

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

Segunda-feira, dia 25 de abril

   


É sempre importante relembrarmo-nos de datas que ficaram na História do nosso país, e de como elas mudaram o rumo da sociedade e na de quem nela habita.

Assim foi no dia 25 de abril de 1974, o dia em que a ditadura, que durava há 48 anos, deu lugar à Democracia e a um Portugal livre, com direito a eleições livres, sem censura nos jornais, com direitos iguais para homens e mulheres.

Leiam o artigo da revista Visão Júnior e documentem-se sobre o Dia da Liberdade. De seguida, testem os vossos conhecimentos, através de um quizz, que a revista vos apresenta.

https://visao.sapo.pt/visaojunior/historia-visaojunior/2016-04-14-conta-me-como-foi-o-25-de-abril/




23 de abril - Dia Mundial do Livro


                                            Ilustração: © Arianna Boccassini

 


Homenagear o livro no dia 23 de abril é também celebrar três grandes escritores, pois, nesta data, registam-se as seguintes efemérides: o nascimento (1564) e a morte (1616) de William Shakespeare; a morte (1616) de Miguel de Cervantes e o nascimento, em 1899, de Vladimir Nabokov. 

 

A UNESCO fixou, em 1996, o dia mundial que hoje se celebra.

Destacam-se, a 23 de abril, o livro e o direito inalienável da leitura, pilares para a construção de uma sociedade desenvolvida.

 

Partilhamos convosco um poema sobre a importância dos livros na nossa vida: ler torna-nos diferentes e pensadores críticos e interventivos:

 

As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas ou recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas. 

E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo, nas nervuras. 

As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas». 

É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.


Jorge Sousa Braga, Herbário, Assírio & Alvim, 1999.


Visionar Os Direitos do Leitor , da obra Como um romance de Daniel Pennac

22 de abril - Dia Mundial da Terra


 

Fotografia: © Laura Barnett, National Geographic


Celebra-se hoje, dia 22 de abril, o "Dia Mundial da Terra. Milhões de pessoas assumem o seu “compromisso com a proteção e a necessidade de preservar os recursos naturais, o ambiente e a sustentabilidade da Terra”.

“Investir no planeta” é o tema escolhido para as comemorações de 2022.  Este tema alerta para a importância de se mudar as estratégias politicas e empresariais, no sentido de se tomarem medidas que possam minimizar os problemas relacionados com o clima.


A Biblioteca Escolar Rui Grácio junta-se a esta celebração, em defesa dos valores de cidadania e do amor pelo planeta,  através da partilha de um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, intitulado "A forma justa".

 


Sei que seria possível construir o mundo justo

As cidades poderiam ser claras e lavadas

 Pelo canto dos espaços e das fontes

O céu, o mar e a terra estão prontos

A saciar a nossa fome do terrestre

A terra onde estamos – se ninguém atraiçoasse – proporia

 Cada dia a cada um a liberdade e o reino –

Na concha na flor no homem e no fruto

Se nada adoecer a própria forma é justa

 E no todo se integra como palavra em verso

Sei que seria possível construir a forma justa

 De uma cidade humana que fosse

Fiel à perfeição do universo

 

Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco

 E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo



Sophia de Mello Breyner Andresen, O Nome das Coisas

 


Ouvir Quantas cores o vento tem


 



Votos de Páscoa Feliz - 9 de abril de 2022

 



    Na presente pausa letiva, a Biblioteca Escolar Rui Grácio deseja à comunidade escolar um tempo de renovação que, à semelhança da época primaveril,  a todos traga inspiração e energia para um dinâmico regresso às aulas.

Deixamos, como texto da ilustração, o poema de Miguel Torga:


Um dia de poemas na lembrança
(Também meus)
Que o passado inspirou.
A natureza inteira a florir
No mais prosaico verso.
Foguetes e folares,
Sinos a repicar,
E a carícia lasciva e paternal
Do sol progenitor
Da primavera.
Ah, quem pudera
Ser de novo
Um dos felizes
Desta aleluia!
Sentir no corpo a ressurreição.
O coração,
Milagre do milagre da energia,
A irradiar saúde e alegria
Em cada pulsação.


Miguel Torga, "Páscoa" in Diário XVI


7 de abril de 2022: “Abrimos as portas aos afetos” – uma iniciativa de fevereiro, premiada pela Rede de Bibliotecas Escolares







   A Biblioteca Escolar Rui Grácio concorreu à iniciativa Atividades Top da RBEtendo elaborado a planificação no âmbito desta iniciativa, a par de alguns documentos referentes à mesma. Na sequência do procedimento, sentimo-nos gratificados por termos visto premiado o nosso trabalho.

   Aqui é apresentado o vídeo "Abrimos as portas aos afetos",  enviado para a RBE com as diversas etapas da atividade concretizada durante o mês de fevereiro. 

Dia Internacional do Livro Infantil - 2 de abril de 2022


 

    Celebra-se hoje o Dia Internacional do Livro Infantil.

    Recordamos os contos tradicionais da nossa infância. À época, ficávamos presos em enredos a oscilar entre o Bem e o Mal: princesas presas em castelos, príncipes transformados por entidades maléficas e feiticeiras capazes de castigos cruéis, que nunca havíamos imaginado serem possíveis.

    No final, quase sempre tudo terminava com o regresso da felicidade perdida e com o castigo das personagens cruéis, que haviam demonstrado total ausência de piedade para com vítimas para nós tão inocentes e belas.


    Hoje o livro infantil foi ganhando mudanças, sendo a ilustração tão importante quanto o texto.


    Lembramos que alguns dos jovens alunos nem sempre tiveram, desde tenra idade, quem lhes lesse uma história antes de chegar a hora do sono. É algo que descobrimos, inesperadamente, quando, para apresentar algum exemplo em sala de aula escolhemos algum título entre os clássicos da literatura infantil para, a título ilustrativo, assinalarmos marcas do texto narrativo a estudar por crianças e jovens.


    Por isso mesmo, sentimos, enquanto professores de Português e como biblioteca escolar, a importância de destacar esta data e de suprir, sempre que possível, uma lacuna para os que nunca conheceram textos infanto-juvenis. Dar a conhecer novos títulos é ainda incentivo para aqueles que já adquiriram competências leitoras, cabendo-nos, como boa prática profissional, apresentar-lhes diversas perspetivas.


    Para assinalarmos a data, partilhamos um vídeo musical, do Grupo Vocal Canto X, que lembra a importância do imaginário dos contos e tem como título "Conta-me um conto".


Aceder aqui ao vídeo.


Imagem: PNL “Dia Internacional do Livro Infantil”.